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Raccord, Cue e percepção: 3 desdobramentos da Continuidade

Raccord, do francês, conexão. Diferentemente de continuidade, que se preocupa mais com aspectos objetivos, práticos e visuais da cena, o Raccord está mais ligado à pulsação da cena e da interpretação. Se o personagem saiu do quarto chorando em prantos, não pode chegar à sala meio chororô. Se subiu a escada correndo, precisa falar ofegante. O ritmo e o estado emocional da personagem tem que estar de acordo com a cena ou o take imediatamente anterior.

Cue - Por inúmeros motivos uma cena pode ser suspensa em qualquer ponto. Ou porque o ator errou o texto, ou o operador de câmera errou o foco, ou a partir desse ponto a câmera precisa se deslocar pra outro ângulo, ou o efeito especial precisa pôr o sangue na boca do ator que recebeu um soco… vários motivos fazem o diretor chamar um Cue, do inglês, “deixa”. Com isso, congela-se a cena, faz-se as correções necessárias e retoma-se a gravação partir daquele ponto, a

partir daquele Cue. Importante o ator entender esse comando para que ele mantenha a continuidade, o raccord e o cabelo. Sim, o cabelo, mulheres, porque é o primeiro lugar que vocês instintivamente mexem quando o diretor chama um Cue. E aí perde-se a continuidade! Ô mania, hein!…

Por fim, percepção. Apesar do olhar atento do continuista e do estudo pormenorizado do ator, determinadas falhas de continuidade podem acontecer durante a gravação e cabe ao diretor decidir se naquele momento da cena aquela falha será percebida pelo espectador. Muitas vezes o público está com sua atenção concentrada em algo tão maior que a falha torna-se irrelevante e não vale comprometer o andamento do dia com uma possível regravação. E isso só o diretor pode definir…

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